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O uso de softwares de linguagem de leitura corporal vai aumentar na pandemia?

O uso de softwares de linguagem de leitura corporal vai aumentar na pandemia?

Será um que robô ou um aplicativo conseguem ler as emoções de um ser humano como um profissional?

Tecnologias como essas já existem no mercado há algum tempo. Mas a verdade é que, em decorrência da pandemia do novo coronavírus, podemos esperar que elas se tornem ainda mais faladas.

Quando videoconferências tornam-se o padrão, pessoas e empresas começam a buscar alternativas para suprir a presença física na interpretação da linguagem corporal.

Confira nossa análise!

 

Linguagem corporal: o maior fator de influência nas relações sociais

A comunicação não verbal é um dos principais componentes nas relações sociais.

O antropólogo Ray Birdwhistell, no livro “Cinésica e contexto: ensaios sobre comunicação no movimento corporal”, diz que apenas 35% do significado social de qualquer interação corresponde às palavras pronunciadas, pois o homem é um ser multissensorial que, de vez em quando, verbaliza”.

Assim, aspectos como linguagem corporal e o tom de voz respondem pela maior parte daquilo que transmitimos ao nos expressarmos e nos relacionarmos com outras pessoas.

 

Os impactos da pandemia na comunicação não verbal

Que a pandemia iria impactar os relacionamentos, nunca houve dúvida.

Uma vez que a transmissão da COVID-19 se dá pelo toque, contato próximo com pessoas ou objetos contaminados, é evidente que hábitos sociais e culturais como o abraço, beijo e toque seriam incompatíveis com os esforços para conter a doença.

Naturalmente, estas necessárias mudanças de comportamento também iriam repercutir na forma como nos comunicamos.

Medidas de saúde e segurança como o distanciamento social e o uso de máscaras de proteção nos privam da possibilidade de uma interação social completa, como:

  • o toque e o contato físico, que tantas vezes são indicativos do nível de proximidade ou apoio entre pessoas;
  • a expressão facial, que, devido ao uso de máscaras, ficou limitada ao olhar;
  • a leitura labial, tão importante para pessoas com deficiência auditiva, também fica impossibilitada pelo uso de máscaras;
  • a linguagem corporal, mais difícil de ser interpretada em videoconferências ou ligações de áudio.

É difícil prever como essas mudanças irão afetar os relacionamentos pessoais no médio ou longo prazo.

Por um lado, é de esperar que as pessoas vão naturalmente se tornar melhores na identificação de sinais limitados de comunicação.

Como “o nosso cérebro é muito rápido”,  “rapidamente vamos aprender a ler emoções através da expressão facial pela parte [exposta do rosto] que sobrou”, conforme o médico Fernando Gomes disse em entrevista à CNN Brasil.

Já no que diz respeito à comunicação corporativa, esses obstáculos têm sido contornados com o uso de softwares, apps e até robôs que conseguem colher dados com base na linguagem corporal de pessoas que aparecem na câmera.

 

A comunicação não verbal é importante no Direito?

No Direito, muita ênfase é colocada na comunicação verbal. Afinal, o Direito brasileiro tem fortes laços com o positivismo jurídico – teoria filosófica que preza pelas disposições que estão postas, escritas em lei ou em outros atos normativos.

Os processos judiciais, até mesmo por questão de segurança jurídica, também são dependentes da escrita – nas petições, nas decisões, nos laudos.

Mas nem por isso a comunicação não escrita e não verbal deixam de ter lugar no mundo jurídico.

Isso é mais evidente no Tribunal do Júri, onde as emoções desempenham maior papel (por se tratar de crimes dolosos contra a vida) e onde o júri não precisa se ater a fundamentos técnico-legais para decidir.

Para advogados e demais profissionais do Direito, interpretar a linguagem corporal dos clientes ou das partes, em reuniões ou audiências virtuais, também estão entre os desafios da sua rotina.

Muitos escritórios têm contratado coaches e especialistas em linguagem corporal para oferecerem treinamentos e ajudarem advogados a desenvolverem essas habilidades, de acordo com o jornal Financial Times.

Esses advogados estão interessados em melhorar sua linguagem corporal para serem mais receptivos para seus clientes nos atendimentos virtuais, mas também para entenderem melhor esses clientes.

 

Usando da tecnologia para ler a linguagem corporal

Pensando nestas novas habilidades requeridas durante a pandemia, muitas empresas de tecnologia têm desenvolvido aplicativos e celular, robôs e programas de computador especializados em leitura corporal.

Assim como já existem softwares de reconhecimento facial, agora existem também os softwares que analisam informações da face reconhecida, e até mesmo da linguagem corporal não-facial.

Esses softwares codificam pontos no rosto ou corpo da pessoa, associando-os a emoções, e assim, colhem dados de acordo com as expressões e movimentos feitos.

Com base nisso, geram relatórios que ajudam a identificar o que a pessoa está pensando ou sentindo. Eles também ajudam a identificar a possível dissonância entre o que ela fala e o que ela realmente sente.

 

Cuidados e riscos no uso dos softwares de leitura de linguagem corporal

Apesar de conveniente para quem usa, a leitura de linguagem corporal feita por apps e softwares requer pensar em alguns cuidados, sobretudo no que diz respeito à colheita de dados sem permissão.

Informações sobre expressão facial ou corporal não estão na lista de dados protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados. Entretanto, é importante lembrar que a proteção à intimidade e aos dados pessoais têm sido cada vez mais discutidas e priorizadas.

E você, o que pensa disso?

Existem muitas maneiras de implementar tecnologias de automação e robôs no trabalho dos advogados de forma ética e acessível.

Para saber mais, leia nosso artigo: 3 coisas que um robô advogado não pode fazer – e 3 coisas que você deveria deixar ele fazer.


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Oystr Robôs Inteligentes