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Desmaterializando profissões

Desmaterializando profissões

Como construir uma empresa jurídica exponencial

 

Presenciei algumas vezes colaboradores que atuam em escritórios jurídicos ou em departamentos jurídicos que logo que recebem a notícia da contratação de uma tecnologia que vai ajudá-lo com o trabalho repetitivo arregalar os olhos e pensar: “será que vou perder meu emprego? ”. Devo confessar que acabo de finalizar uma reunião em que o colaborador (muito competente por sinal), não disfarçou em seu rosto este medo assim que os sócios contrataram um robô de automação para confeccionar guias.

Ocorre que culturalmente ainda não estamos preparados para receber algumas tecnologias apenas porque não as conhecemos. E imaginar deixar de fazer meu trabalho repetitivo para realizar uma tarefa mais estratégica pode ser assustador. Crescer dói. Sair da zona de conforto nem sempre é fácil. Não somente dentro do mundo jurídico mais em quase todas as áreas tanto em empresas em geral, indústrias, quando de prestação de serviços, as profissões, bem como as características dos profissionais estão em constante modificação. Uma das provas disso é o estudo realizado pelo IFTF, que menciona:

 

Estudo encomendado pela Dell Tecnologies para o IFTF (Institute for the Future) prevê que, graças ao avanço tecnológico, até 2030, aproximadamente 85% das profissões serão novas, ou seja, ainda nem foram inventadas[1]”.

 

Com base em pesquisas como esta, temos certeza que a tecnologia e a constante inovação chegou em umas das áreas mais conservadoras, a jurídica.

Mas o que isto significa? Significa muito, mas principalmente que os profissionais que atuam no mundo jurídico, mudaram, ou se ainda não mudaram, terão que se adaptar ao mercado e as novas demandas rapidamente.

 

Habilidades do futuro

Na próxima década, e já nos próximos anos sem dúvida nenhuma, a prestação de serviços no mundo jurídico irá transformar-se totalmente também, e é claro que os profissionais deverão se tornar diferentes na mesma medida. Como já estamos vendo nos últimos 60 dias. Deverão possuir novas aptidões para estas carreiras que irão surgir. Quais seriam estas habilidades e conhecimentos: letramento digital, resiliência, cooperação, uso de tecnologias, gestão de processos e projetos, aperfeiçoamento contínuo. Quando falamos de uso de tecnologias não são apenas as que usamos hoje no dia a dia, mas algumas que ainda irão surgir e também: realidade estendida, biotecnologia e muita inteligência artificial.

Sem entrar no mérito do tamanho do mercado, se existem muitos ou poucos profissionais, se está certo ou errado, se é justo ou não. O fato é que o profissional do futuro, desta profissão que sequer existe deve possuir as habilidades mencionadas acima e muitas outras.

O que temos certeza é de que o profissional que possua várias aptidões, que tenha foco em gestão, que pense sempre na sua rotina de forma inovadora, este jamais ficará sem ocupação, sem emprego.

 

 

O tal trabalho difícil

Além disso se formos analisar o mercado de qualquer área, até pouco tempo atrás, quando precisávamos aumentar a lucratividade de uma empresa por exemplo, podemos pensar em uma jogada de marketing da seguinte forma, selecionamos um produto que já vende, diminuímos o preço e investimos em publicidade. Não é? Só que isso todo mundo já faz. O fato é que o mercado, seja em qualquer segmento precisa de algo novo. De ideias novas, de atendimento realmente diferenciado, de pessoas que se destaquem verdadeiramente. A impressão que nos dá é que tudo aparenta estar mais fácil por que as empresas se especializaram muito e conseguiram baratear o mercado. Trata-se de uma forma de comoditização. A aparência que nos dá, é que todos os serviços estão mais simples. Qual seria a única alternativa? Fazer algo exclusivo, escasso, difícil, absolutamente inovador.

 

Empresa jurídica exponencial

 

Mas porque estamos falando de produto, de mercado, de marketing se o assunto principal era “pessoas” “cargos” “empregos”? Exatamente porque são as pessoas que terão que promover as mudanças, terão que inovar, quebrar barreiras, motivar, fazer o trabalho difícil. O trabalho verdadeiramente difícil, aquele que agregará valores, que será um diferencial na forma de apresentar o seu negócio.

E quem vai fazer isso? Qual profissional? Qual carreira?

Então digitalizar um processo e confeccionar uma guia recursal, dentro da Controladoria Jurídica é difícil? Não. Isso não é difícil, aliás todos os escritórios já fazem muitas das atividades da Controladoria Jurídica, só que de forma descentralizada. Mas então o que seria o difícil? O que é verdadeiramente difícil muitas vezes é tomar a coragem de implantar uma Controladoria Jurídica, é apresentar o próximo relatório para o seu cliente em dashboard, é contratar um robô de automação e ensinar algo novo para aquele advogado júnior que trabalha há um ano no escritório somente alimentando sistema sem nenhum trabalho intelectualmente desafiador. É tomar coragem para desenvolver pessoas, mudar a forma de atender o cliente, é fazer reuniões realmente produtivas.

E o mais importante é entender que sempre haverá demanda para pessoas, para profissionais capazes de fazerem o aqui chamado “trabalho difícil”, que culminará na construção de uma empresa jurídica verdadeiramente exponencial.

[1] https://inforchannel.com.br/2017/07/27/85-das-profissoes-que-existirao-em-2030-ainda-nao-foram-inventadas/ > acesso em 25 de março de 2020


Tatiana Rodrigues

Tatiana Rodrigues

Advogada, Consultora plena em Gestão da produção Jurídica. Professora da disciplina de Controladoria Jurídica e Inovação da graduação (Uninter), professora da disciplina de Controladoria Jurídica na pós-graduação ESA- GO/Dalmass, professora da ESA/PR. Palestrante e autora de diversos artigos em Gestão Legal.